Erotomania: você já ouviu falar nesse transtorno?

Erotomania: você já ouviu falar nesse transtorno?

Erotomania, ou síndrome de Clérambault, é um transtorno bastante complexo. O indivíduo que sofre dessa condição tem certeza absoluta de que uma pessoa está apaixonada por ela. No entanto, o alvo é sempre alguém com poder ou com o status social superior. Um ídolo, por exemplo, seja ele cantor, ator ou qualquer celebridade, pode estar envolvido nessa história.

E não é muito difícil reconhecer os sinais da erotomania. A pessoa simplesmente alimenta uma realidade que não existe. Ela acredita que tal personalidade está deixando indícios de amor na mídia, no ar. No entanto, só quem sofre consegue enxergar as coisas desse jeito.

Como é um assunto um tanto quanto delicado, decidimos trazer detalhes mais profundos. Portanto, continue com a gente!

O que é erotomania?

A erotomania é um transtorno psicológico que nasce de um lugar muito humano e delicado: a necessidade de se sentir amado, importante e especial para alguém. Quem vive isso não está inventando uma história nem escolhendo acreditar em algo irreal. Existe uma certeza emocional profunda de que outra pessoa está apaixonada por ela. Para o paciente, essa sensação é real, intensa e impossível de ser simplesmente ignorada.

Estudos mostram que o quadro é mais comum em mulheres, embora homens também possam passar por essa experiência. Geralmente, o suposto amor vem de alguém distante ou idealizado, como uma celebridade, um chefe, um médico ou alguém admirado.

Com o tempo, essa crença passa a guiar sentimentos e pensamentos. Um gesto educado, um olhar rápido ou até o silêncio ganham significados profundos. Tudo parece confirmação desse amor imaginado.

Isso costuma gerar muita angústia, confusão emocional e solidão, porque a pessoa se sente presa a uma ligação que só ela percebe, mas que vive como absolutamente verdadeira. Em alguns casos, o foco muda depois de semanas ou meses; em outros, essa crença pode durar anos e afetar relações, trabalho, autoestima e qualidade de vida.

O diagnóstico da erotomania é sensível e complexo, pois essas crenças raramente aparecem sozinhas. Elas podem vir acompanhadas de ideias de perseguição, ciúmes intensos e distorções da realidade.

Por isso, muitos profissionais entendem a erotomania como parte de quadros mais amplos, especialmente dentro do espectro da esquizofrenia paranoide. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é essencial, não apenas para tratar os sintomas, mas para acolher o sofrimento de alguém que vive emoções reais dentro de uma realidade que, para ela, faz todo sentido.

Quais são as causas e sintomas dessa condição?

As causas concretas da erotomania ainda não foram levantadas completamente. São diversos fatores de origem psicogenética no indivíduo que influenciam a condição. De acordo com diversos estudiosos, isso é uma reação anormal da personalidade ou, de certa forma, uma parte secundária de quadros psicóticos.

Portanto, a condição pode ser sequela de algum tipo de psicose anterior. Traumas na cabeça ou alterações mentais também colaboram para isso. A esquizofrenia, por exemplo, pode ser um dos fatores. Assim como traumatismo cranioencefálico, Alzheimer, convulsões, hemorragia interna e outros.

Apesar de não ser uma condição comum no dia a dia, a erotomania costuma deixar sinais bem claros. Os sintomas chamam a atenção justamente por serem intensos e fora da realidade, o que faz com que pessoas próximas percebam que algo não vai bem.

É comum que o paciente acredite que o alvo da sua paixão esteja o tempo todo deixando pistas secretas, como se cada gesto, palavra ou silêncio tivesse um significado especial direcionado a ele. Também pode surgir uma idolatria exagerada por uma pessoa específica, muitas vezes uma figura famosa ou idealizada, que passa a ocupar um lugar central na sua vida emocional.

Além disso, há um sofrimento profundo ao perceber que o outro consegue seguir a própria vida normalmente, sem demonstrar qualquer envolvimento, o que reforça sentimentos de rejeição, angústia e frustração.

Fases

A erotomania segue um caminho, ou seja, é um processo com várias fases. Inclusive, essas fases ajudam os profissionais, que assim podem compreender o grau de gravidade do paciente.

– Esperança

Essa fase dá início a tudo. Sendo assim, a pessoa acredita que é amada por alguém. O que vira uma crença inabalável. A fantasia é, de fato, convincente para ela.

– Despeito

Essa fase é perigosa, visto que envolve diversas emoções entre o doente e a pessoa que supostamente o ama. Desse modo, o paciente começa a nutrir sentimentos de conciliação e vingança. E só faz isso porque acredita que o seu orgulho está ferido, uma vez que o outro não corresponde aos seus sentimentos.

– Rancor

O fim pode ser devastador. O ódio pela pessoa desejada aparece e pode ganhar proporções inimagináveis. Assim, quem sofre do transtorno começa a fazer falsas acusações, podendo até ameaçar vingança. Mas o oposto também pode acontecer. Ele pode se sentir ameaçado e perseguido a ponto de fazer loucuras para se proteger.

Tratamento da erotomania

A princípio, o tratamento exige o uso de antipsicóticos. O medicamento ajuda a diminuir a intensidade do delírio e controlar as ideias interligadas. Porém, se mostram ainda mais viáveis para controlar o comportamento do paciente, dando a ele a chance de se inserir novamente na sociedade.

De acordo com profissionais, a terapia psicológica e psicoterapia individual não são tão eficazes nesse caso. Mas as terapias de suporte que envolvem a família e intervenção ambientais são muito proveitosas. Geralmente é recomendado o afastamento dele com o objeto do seu desejo amoroso.

Já nos casos mais graves, a doença pode incapacitar o paciente, tornando ele dependente de acompanhamento contínuo. Alguns casos são tão intensos que exigem a internação integral, visto que o indivíduo pode tomar decisões perigosas.

Fontes: Infoescola; Omens; Psicanálise Clínica

Referências

BEAUCHESNE, H. História da psicopatologia, São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 28.

MOREL, A. B. Traité des maladies mentales, Paris: Editora???,1860.

Freud, S. (1915) “Um caso de paranóia que contraria a teoria psicanalítica da doença”, in: Op. Cit., vol. XIV.

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