transtorno de aversão sexual

O que é o transtorno de aversão sexual e como tratá-lo?

O transtorno de aversão sexual é algo sério e pode trazer vários malefícios a vida como um todo. Ele faz com que a pessoa que sofre a distancie de qualquer relação íntima. Existem diversos sintomas que mexem com a qualidade de vida de quem passa por isso, interferindo até mesmo na sua vida fora da cama.

Diante disso, trouxemos uma explicação mais detalhada sobre o assunto que você deveria saber. Confira conosco a seguir para saber como lidar com situações complexas.

O que é o transtorno de aversão sexual?

O transtorno de aversão sexual é quando a pessoa sente uma rejeição muito forte, quase instintiva, diante de qualquer situação que envolva sexo ou intimidade. Não é só falta de desejo ou uma fase de desânimo, é algo mais intenso, que pode gerar medo, angústia, nojo e até reações físicas como náusea ou ansiedade só de imaginar uma relação sexual.

Muitas vezes, isso vem de traumas, experiências negativas ou até de uma educação muito rígida sobre o corpo e o prazer. Em outros casos, a pessoa nem sabe explicar exatamente o porquê. O fato é que esse sofrimento é real e pode afetar os relacionamentos, a autoestima e até o modo como a pessoa se enxerga.

Mas é importante saber que isso tem tratamento. Com apoio profissional, dá para ir aos poucos entendendo o que está por trás dessa aversão e, se for vontade da pessoa, construir uma relação mais leve e segura com a própria sexualidade. O mais importante é respeitar o tempo de cada um e lembrar que não há nada de errado em precisar de cuidado.

O transtorno sexual é uma fobia?

Sim, o transtorno de aversão sexual pode ser entendido como um tipo de fobia, especialmente quando a reação da pessoa ao sexo ou à intimidade é marcada por medo intenso, ansiedade e até reações físicas, como sudorese, tremores ou vontade de fugir da situação.

Assim como outras fobias, essa resposta não é algo que a pessoa controla conscientemente; ela sente um mal-estar real diante de algo que, para outros, pode parecer comum ou até desejável.

Mas é importante diferenciar que nem todo desinteresse sexual é uma fobia. A fobia sexual envolve sofrimento, rejeição ativa, repulsa ou pânico. Já o desinteresse, como na assexualidade ou em fases de baixa libido, não necessariamente vem acompanhado de medo ou angústia.

A chave está no sofrimento envolvido e na intensidade da reação emocional e física. E como toda fobia, com o cuidado certo, especialmente psicológico, é possível tratar e aliviar os impactos desse transtorno.

Quais são as causas do transtorno de aversão sexual?

As causas do transtorno de aversão sexual costumam estar ligadas a histórias de dor, medo ou repressão. Muitas vezes, a pessoa passou por situações difíceis, como abuso, experiências íntimas traumáticas ou momentos em que se sentiu forçada, julgada ou humilhada.

Outras vezes, nem é algo tão extremo, mas sim uma criação muito rígida, onde o sexo era visto como algo errado, sujo ou vergonhoso. Isso vai se enraizando e deixando marcas que afastam a pessoa da própria sexualidade.

Também pode acontecer quando a pessoa tem baixa autoestima, vive com ansiedade, depressão ou teve relações afetivas marcadas por pressão ou desrespeito. Aos poucos, o corpo e a mente passam a reagir com repulsa ou medo como forma de proteção, mesmo que ela não entenda muito bem o porquê disso.

É importante lembrar que ninguém sente isso porque quer. A aversão não é frescura, nem falta de vontade. É um sinal de que algo lá dentro precisa ser cuidado com carinho. E com ajuda certa, dá pra reconstruir essa relação com o próprio corpo, com o toque e com o prazer, no tempo de cada um.

Como tratar o transtorno de aversão sexual?

O tratamento do transtorno de aversão sexual começa com acolhimento e respeito ao tempo de quem está vivendo isso. A psicoterapia, especialmente com profissionais que entendem de sexualidade ou traumas, é o principal caminho.

É ali, nesse espaço seguro, que a pessoa pode entender de onde vem esse medo ou rejeição e começar, aos poucos, a reconstruir a relação com o próprio corpo e com o prazer.

Se houver ansiedade intensa, depressão ou outros sintomas que atrapalhem muito o dia a dia, pode ser indicado também o apoio de um psiquiatra, com uso de medicamentos, sempre de forma cuidadosa.

Quando a pessoa está em um relacionamento, envolver parceria no processo, com afeto e sem pressa, pode ajudar bastante. Mais do que tudo, é um caminho que exige escuta, paciência e carinho. Com o suporte certo, é possível sim transformar o medo em reconexão e liberdade.

Como lidar com o transtorno de aversão sexual em um relacionamento?

Lidar com o transtorno de aversão sexual em um relacionamento pede muito cuidado, empatia e paciência. Quem vive essa dificuldade não está rejeitando o parceiro; está lidando com um medo ou dor que muitas vezes nem sabe explicar. Por isso, o primeiro passo é entender que não se trata de falta de amor ou vontade, mas de algo mais profundo que precisa de acolhimento, não de cobrança.

É essencial abrir espaço para conversas sinceras, sem pressão, onde o outro possa falar o que sente com segurança. Respeitar os limites, inclusive físicos, é um gesto essencial e importante. E lembrar que a intimidade vai além do sexo, ela também se constrói com afeto, escuta e presença.

Buscar ajuda profissional, juntos ou individualmente, pode fazer diferença. Com o tempo e o apoio certo, é possível encontrar formas mais leves e seguras de se conectar, fortalecendo o vínculo com amor e paciência.

Qual é a diferença entre o transtorno de aversão sexual e a abstenção?

A diferença entre o transtorno de aversão sexual e a abstenção está muito no que a pessoa sente lá no fundo. Quem tem aversão sexual não escolhe evitar o sexo porque quer. Na verdade, ela sente um medo ou uma rejeição tão forte que o corpo e a mente acabam negando antes mesmo de pensar direito.

É como se o sexo virasse um desafio cheio de ansiedade, desconforto e até sofrimento. Isso pesa muito na vida e nos relacionamentos, porque não é fácil lidar com esse bloqueio.

Já a abstenção é diferente. É quando a pessoa, de coração aberto, decide não ter contato sexual naquele momento ou por algum motivo que faz sentido pra ela; pode ser uma escolha consciente, por respeito a si mesma, por crença ou só porque não está a fim. Nesse caso, não tem sofrimento nem medo envolvido, só uma vontade ou decisão tranquila.

Então, enquanto a aversão sexual é um sentimento difícil, pesado, que afasta a pessoa mesmo quando ela talvez queira estar perto, a abstenção é um caminho escolhido com calma, sem dor, com respeito ao próprio tempo e vontade.

Fontes: A Psiquiatra; Psicoter; BBC; Sexuality; Instituto de Longevidade

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Basson, R. (2001). Using a different model for female sexual response to address women’s problematic low sexual desire. Journal of Sex & Marital Therapy, 27(5), 395-403. https://doi.org/10.1080/009262301753459591

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Masters, W. H., & Johnson, V. E. (1970). Human Sexual Inadequacy. Little, Brown.

World Health Organization. (2018). International Classification of Diseases 11th Revision (ICD-11). Retrieved from https://icd.who.int/

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